domingo, 6 de janeiro de 2008

Olhar em três tempos

Há olhos que cruzam o olhar com os nossos e que a partir desse instante passam a fazer parte de nossos caminhos e recordações para sempre. São olhos que nunca mais veremos, mas que estarão sempre a cruzar com os nossos na memória.

Olhos negros, penetrantes... Olhos capazes de atravessar e derreter paredes. Qual a probabilidade de encontrar alguém no meio do nada? Tínhamos cansado de dirigir e paramos o carro em uma sombra a beira da estrada, aguardávamos que o sol diminuísse. De repente, somos estranhamente despertas pelo ruído distante de um motor. Alguns minutos após, uma moto pára ao nosso lado e olhos negros nos perguntam se temos problemas. Agradecemos a oferta de ajuda e eles se vão... Um último menear de cabeça para trás e aqueles olhos se tornam inesquecíveis...

Num local lotado encontrar alguém seria quase impossível, imagine se perdida na multidão sem fim, esperaria um novo cruzar de olhos. Lembro-me deles, azuis, refinados, impecáveis, em frente ao balcão da Western Union. A voz que os acompanhava falava um idioma nunca ouvido antes. Mas eles transpiravam beleza e refinamento inigualáveis, em linguagem universal... Nunca os veria de novo e fiz questão de prolongar os segundos que se passaram.

Olhos verdes, ai, ai, olhos verdes... Que há com esses olhos? Tem algo mágico, porém não tem o calor nem o refinamento experimentados dantes. Como nunca os vira antes? Como viver sem vê-los depois ? Em meio ao caos, em meio a morte que rondava, eu os vi pela primeira vez. Não sabia de onde vinham nem para onde me levariam, mas deixei meus olhos presos naquele olhar. Eram tão doces e tinham um brilho tão diferente... Esses olhos atravessaram os meus sonhos por meses. De todos os olhos na vida esses foram os únicos que atravesaram duas vezes o meu caminho. Na segunda vez, surpresa, eu fugi deles. Porém nos meus sonhos eles se mantinham sempre presentes. Esses olhos me visitam à noite até hoje, trazendo um brilho todo especial a minha vida. Por que esses? Por que não outros olhos? Não sei. Talvez seja porque eles me tragam um sabor de algo que nunca tive, um cheiro de algo tão distante, lembranças que nunca vivi. Talvez porque na sua doçura tenha adoçado momentos tão amargos de minha vida... Não sei, só sei que parece que por muitos anos eles ainda estarão povoando meus sonhos.
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Há olhares e olhares na vida, este pequeno texto é dedicado a todas as pessoas que marcam nossas vidas apenas com um olhar. Ah, e o texto é apenas inspirado em fatos reais, não necessariamente as coisas aconteceram assim, usei um pouco de licença poética.

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