domingo, 23 de novembro de 2008

Meu amor...

Lembra que você me disse quando chegou à conclusão de que eu era a mulher da sua vida? Resolvi fazer uma postagem no blog. Veja se você gosta... Essa é uma postagem que poderia ter sido uma carta de amor. Mas decidi que iria homenagear meu futuro esposo dividindo um pouco da nossa história com todos os nossos amigos...
Quando conheci o Breno achei que íamos ser apenas amigos. O Breno não é alguém que chame tanta atenção num primeiro encontro porque é um bocado tímido. E como eu sou tímida também demoramos bastante para conseguirmos conversar. Mas mesmo falando tão pouco dava pra ir percebendo várias qualidades nele: a capacidade de fingir que estava perdendo só pra eu não ficar triste, o sorriso, o jeito que ele trata as pessoas em volta... Depois daquele dia fiquei com uma vontade enorme de vê-lo de novo, mas era capaz de jurar que era só amizade...
Uma noite, num plantão, recebi uma mensagem romântica no celular. Quase coloquei tudo a perder, porque me assustei e fui responder que era muito cedo. De verdade estava com medo de me apaixonar... Quase que ele acha que eu tinha dado um fora nele. Mas no dia seguinte a gente conseguiu conversar (sobre um monte de outros assuntos) e fiquei menos assustada, diminuiu a sensação incômoda de não saber como reagir... Mas ainda achava que seríamos só amigos...
O Breno é muito doce. Imagina alguém capaz de te acompanhar numa dieta quando você está com alergia a leite e derivados, carne vermelha e glúten (tudo ao mesmo tempo)? E ele sorri de um jeito tão lindo quando está sem graça... Observando ele me acompanhar na dieta e ainda sorrir pra mim, descobri que o que eu sentia não era apenas amizade...
Após o mal entendido ser desfeito, saímos de novo. De certa forma, eu sabia o que ele sentia e ele sabia o que eu sentia, mas mesmo assim estávamos tensos... Eu estava ansiosa como uma adolescente... Na verdade, esse dia é que pode ser considerado nosso primeiro encontro... Ao rir da peça, uma comédia, com a Drica de Moraes, nós sentimos pela primeira vez o toque de nossas peles, deixamos os braços onde estavam... Depois nossas mãos se tocaram... Foi tão especial nosso primeiro beijo... Tão gostosa a primeira vez que andamos de mãos dadas... Descobri que o que eu sentia era muito mais do que amizade...
Apresentei o Breno pros meus amigos, pros meus pais... Ele me levou pra conhecer a Amanda...
Até hoje não tinha contado para ele quando foi que eu tive certeza de que era com ele que eu iria passar o restante da minha vida... Nem mesmo no dia que ele me pediu em casamento eu contei isso. De certa forma até hoje, ele deixou os sentimentos dele bem mais claros do que eu deixei os meus...
Eu sou apaixonada por Brasília... Adoro esse céu, essa paisagem, esse cerrado... Acho muito lindo o céu na Esplanada. Ainda mais linda a Catedral num fundo de céu estrelado... É, foi nesse cenário lindo que tive a certeza de que estava ao lado do homem com quem eu iria envelhecer, ter meus filhos, ir milhares de vezes ao teatro, jogar sinuca (mesmo não sabendo), ver Titanic milhões de vezes... É foi assim que descobri que mais do que amigo, ele ia ser meu companheiro e meu eterno namorado nessa longa estrada que é a vida...

sábado, 1 de novembro de 2008

Sinuca, batatas fritas e teatro = amor pra vida toda

Há alguns dias meu coração anda acelerado... Me sinto meio adolescente, meio criança... Uma sensação maravilhosa vem de meu coração...
Começou devagar... Tão devagarinho quanto nasce o dia de manhã, tão devagar como se saboreia um doce bom...
A príncipio era só uma nova amizade, mas alguma coisa desde o primeiro dia era especial. Não aquele jeito de filme e novela onde o par romântico já perde a cabeça no primeiro olhar, mas como um sentimento puro e bom que foi brotando em meio a todo o tumulto da vida.
Sou uma competidora nata, adoro competir e adoro ganhar. Mas era diferente, não resolvi parar de jogar depois de perder. Continuava jogando e perdendo e jogando e perdendo, simplesmente porque adorava estar ali naquele momento... Era uma sensação tão boa de identificação e afinidade que me dava prazer até em perder...
Pela primeira vez estar proibida de comer algumas coisas me parecia agradável... Graças ao sorriso de um menino tímido que estava sem graça por ter pensado alto e por me deixar sem graça também. Pela primeira vez olhei com olhos que não os de amiga... Aquele menino doce, tímido, atencioso, de conversa tão gostosa e de sorriso tão lindo... Meu coração acelerou como se eu tivesse retornado aos meus doze anos...
Segunda, terça, quarta.... Três dias que demoraram a passar... Meu coração já ansiava por vê-lo de novo, tinha vontade de falar com ele a todo momento... Já estava em dúvida se realmente tinha trinta anos...
Tá certo que também sentia medo... Uma insegurança quase infantil... De repente tinha dúvida se não estaria me precipitando... Se ele sentiria a mesma coisa que eu... Ao mesmo tempo sabia que era diferente... Sabia que naquele momento não estava mas lidando com castelos no ar... Sabia que podia confiar...
Apesar de tímida, me sentia tão confiante, tão segura... Pela primeira vez sabia que não ia me ferir... Podia ler em seus olhos uma doçura e uma paz que me deixavam tranquila....
Como sempre me atrasei no serviço... Cheguei procurando seus olhos... Ansiosa... Telefone... Toca, toca, toca, toca, toca, toca.... Tento mais uma vez.... Ando enquanto tento... Estou apreensiva... Será que desistiu de me esperar? Por fim nos encontramos, ele se finge de bravo por um décimo de segundo, mas logo tem o mesmo sorriso que conheço...
Estamos sentados lado a lado... Primeiro contato de nossas mãos... Nosso primeiro beijo... Uma felicidade enorme estampada em nossos rostos... Nós dois somos meio moleques (no sentido de idade) nesse instante... Andar de mãos dadas... Primeiro abraço... Primeira vez que olhamos olhos nos olhos como um casal...
Os dias passam... Cada dia sinto-me mais feliz... Nada me faz tão bem quanto estar ao lado dele. Sou capaz de recordar a cada segundo seu olhar, seu sorriso, seu beijo...,...,...,.... Ao mesmo tempo que me sinto menina me sinto mulher...
Ao mesmo tempo que me sinto mais jovem, vejo o futuro diante de meus olhos... Tenho certezas que vem do coração... Não é um sonho de primavera, é real e é pra sempre.

domingo, 5 de outubro de 2008

Não sei se quero ser CEO de alguma empresa, mas faço questão de ser a administradora da minha vida

SEJA CEO DA SUA CARREIRA E, DEPOIS, DA EMPRESA



* Carlos Cruz



O mundo corporativo vive um cenário novo, repleto de mudanças rápidas e cargos que exigem muito dos profissionais. Por isso, o jovem inicia sua carreira com o olhar direcionado para os altos cargos. Dentre eles, o posto de CEO (Chief Executive Officer ou, em português, diretor-executivo) é o mais desejado. Ao contrário do que muitos pensam, as competências e talentos
necessários para ocupar um cargo como esse podem ser executados em qualquer etapa da carreira. Na verdade, quanto mais cedo se põe em prática, mais chances o jovem terá de realizar o sonho de um dia assumir a liderança de uma empresa.
Na verdade, poucos sabem o que faz um CEO e alguns até se questionam se ele é uma espécie de "Super-Homem" dentro das organizações. Será que é? A resposta é simples: não. Esse profissional é reconhecido por sua capacidade de realização e transformação. Suas competências fazem com que ele consiga trazer melhores resultados para a empresa, tanto no que diz respeito aos lucros como à produtividade. Sua figura inspira os demais membros a trabalharem melhor e
alcançarem suas metas de forma concreta e objetiva.
Acredito que antes de atingir esse cargo, o primeiro passo a ser dado é assumir a direção da própria vida, tanto profissional quanto pessoal. O que isso quer dizer? Precisamos assumir a responsabilidade das nossas ações, bem-sucedidas ou não, dos nossos acertos e erros; aprender a tomar decisões e sustentá-las. Outras habilidades que precisam ser desenvolvidas para que se alcance o sucesso profissional são as capacidades de liderar e estabelecer metas ambiciosas, porém alcançáveis, para que não se crie frustrações desnecessárias.
Do outro lado do processo, ou seja, para quem já chegou ao cargo de CEO, é imprescindível que se mantenha o espírito jovem somado à voz da maturidade. Assim, esse profissional poderá transformar, aprender e inovar com mais facilidade e consistência. Estudos comprovam que as mudanças que demoravam anos para se concretizar, durante as décadas de 80 e 90, hoje acontecem entre três e cinco dias.
Dentre as competências mais importantes para um executivo que deseja obter sucesso no mercado, em ordem de importância, segundo uma pesquisa realizada pela PricewaterhouseCoopers, estão: flexibilidade para mudanças, liderança, capacidade de desenvolver pessoas, espírito colaborativo, criatividade, inovação e, por último, visão a longo prazo para antecipar e administrar os riscos para a empresa. É importante que o jovem fique atento para não colocar o objetivo de se tornar um CEO em primeiro foco para sua carreira, nem com um fim, mas encarar esse fato como uma conseqüência de suas realizações ao longo do tempo. Estar no topo significa que mais responsabilidades serão assumidas, por isso, volto a dizer que é melhor começar pelas responsabilidades da própria carreira.

Algumas ações podem ajudá-lo a ser o CEO do futuro:

  • Priorizar atividades que geram resultados: Não perca tempo com atividades que não tragam bons resultados. Conte com o planejamento estratégico para alcançar níveis de excelência ao longo do seu dia-a-dia.
  • Buscar responsabilidades e assumi-las: Sabe aquele projeto importante que o seu chefe está para começar? Prepare-se e esteja à disposição para colaborar. Para que você possa ser visto, muitas vezes é preciso se expor.
  • Não espere, crie suas próprias oportunidades e lembre-se: quem não é visto não é lembrado.
  • Inovar e criar: Não realize suas tarefas de maneira automática, ou seja, pense sempre no que pode ser melhorado. Inovação é algo que toda empresa busca e, se você fizer isso também, há grandes chances de criar algo que faça a diferença para sua organização;
  • Aprender a cada instante: Aproveite todas as oportunidades para aprender algo novo. Acredite que não existem erros e acertos, apenas resultados. A partir deste pensamento, idealize maneiras de aprender com os resultados e ir à busca das suas metas;
  • Investir em você: Estude, trabalhe seu desenvolvimento pessoal e busque atividades que realmente lhe dão prazer e geram mais impacto positivo nos seus resultados. Para crescer
    na empresa é preciso crescer internamente, como indivíduo. Conviver com profissionais experientes; estudar seus comportamentos, a forma como pensam, agem e superaram desafios; a maneira de se comunicar com o restante da equipe e as estratégias que usam para lidar com as crises pode contribuir significativamente para o jovem "comprimir décadas em dias". Com isso, é possível aprender em pouquíssimo tempo o que seu modelo demorou para aprender em uma vida. Mas não adianta conhecer e saber o que eles fazem e como fazem se nada for colocado em prática.

Por isso, não se esqueça: o segredo está em entrar em ação para descobrir qual será o seu real caminho.

Achei esse texto muito legal. E também me fez lembrar como iniciei meu processo de maturação e mudança... Um ano atrás procurei uma psicóloga para me ajudar a descobrir o que realmente queria da carreira e da vida, assim como para superar algumas perdas...
Não fiquei na psicóloga muito tempo, mas o contato inicial me deu uma vontade enorme de autoconhecimento... Fui testando... Descobrindo as coisas que me fazem feliz e que quero levar pra sempre comigo... Descobri aquelas que me fazem sorrir, mas que não valem a insistência... Descobri sacríficios necessários...
De repente ao me olhar no espelho, vi uma imagem de mim mesma mais segura. E engraçado, os outros me viram mais bela... Mudei? Não. Ainda sou a mesma. Mas conheço cada cantinho da minha alma, até mesmo aqueles sotãos empoeirados e fechados há muitos anos... Talvez daí venha essa nova visão que outros têm.

Resiliência

Esse texto não é meu (quem dera fosse tão boa nisso), mas achei-o inspirador.

RESILIÊNCIA É ATITUDE

* Leila Navarro
Na área do desenvolvimento humano, um conceito muito valorizado atualmente é resiliência, a capacidade de superar adversidades sem se despedaçar. A pessoa resiliente é dura na queda: enfrenta crises, sofre perdas, encara fracassos e continua firme, não desiste de seus objetivos. Parece até que quanto mais problemas enfrenta, mais forte fica. Não é de se estranhar que essa característica seja tão valorizada. O mundo globalizado é imprevisível, e a qualquer momento podemos enfrentar situações críticas, turbulências, mudanças que inviabilizam nossos projetos, até mesmo uma dispensa do trabalho. O mundo de hoje não nos oferece garantia de nada. Nós é que temos de nos garantir, tendo o preparo necessário para enfrentar as situações inesperadas. Penso que a chave da resiliência está na forma como se interpretam as experiências difíceis e estressantes da vida. Revoltar-se contra essas situações, encará-las com pessimismo ou reclamar como o mundo é injusto - que é a atitude de muita gente - não leva a nada. Mas quando se consideram as crises e dificuldades como fatos naturais da vida, que nos proporcionam oportunidades de crescimento, é possível enfrentá-las com algum equilíbrio e consciência. Se você quiser desenvolver a qualidade da resiliência, comece a interpretar as dificuldades como desafios e dirija sua energia para superá-los, não para lamentá-los. Tire proveito deles para desenvolver novas competências e se fortalecer. Ao assumir essa postura e repeti-la ao longo do tempo, chegará um momento em que nada poderá abalar sua autoconfiança, pois você já terá passado por muita coisa e saberá que tudo dá certo no final. Então compreenderá que resiliência não é um "poder especial" que algumas pessoas têm, mas, simplesmente, uma atitude perante a vida.

Descobertas ou (re)descobertas?

Hoje fui guia turística por um dia...
Sabe que é bem engraçado andar pela sua cidade e lembrar de coisas que você viveu a muitos anos?
É incrível como de repente você se pega repetindo as histórias que você ouviu sabe lá quando...
Pois é, ia eu dirigindo meu carrinho (que deixou de ser 1.0 a pouco tempo) por esta cidade de mar no céu e ruas sem esquina... Ia explicando tudo aquilo que aprendi sobre a cidade quando era pequenina (sem comentários sobre isso, por favor...).
Sabe que existem lugares que ficam mais bonitos quando você volta a eles após muitos anos? Me deslumbrei com a Ermida e bem lá é um deslumbre mesmo, o lago ali todinho pros olhos... Passei pelo Memorial JK, esse era melhor quando Dona Sarah ainda ficava proseando por lá... A Dom Bosco: nossa aqueles vitrais surprendem cada vez que se entra lá!
Passagem pela Igrejinha de Fátima... Suas poucas linhas e seus azulejos azuis e brancos... Uma simplicidade que nos cativa. Foi lá que comecei a voltar no tempo... Imagine aquela igreja linda branca e azul, no meio do nada... Imagine a força daquelas pessoas que buscam sua fé ali...
Almoço e mais um pouco de turismo...
Entro no Catetinho (Palácio das Tábuas)... Penso nas pessoas que deram suas vidas para que minha cidade saisse do papel... Imagino seus sonhos... Sua esperança no futuro... É não haverá nunca minissérie capaz de retratar com precisão a alma daquela gente... E me vejo com nova garra para continuar sonhando com uma cidade cada vez mais humana...

Razões

Recomecei a escrever em condições bem curiosas... Havia muitos anos que não escrevia nada quando comecei esse blog. Sempre gostei muito de ler e de escrever também, mas num longo período da minha vida me mantive longe do lápis. Foi uma época em que tudo parecia seguir um caminho pré-determinado e imutável.
De repente, e põe de repente nisso, uma paixão me arrebata e passo a acreditar que enfim a vida está completa. Foram dias de sonho. Até que um dia, tão de repente quanto chegara a minha vida, tudo se acabou.
Então precisava exorcizar os demônios da separação e da solidão... Comecei a trabalhar ainda mais... Mas, quando chegava em casa, elas (as recordações) já estavam me esperando. Eram desleais, me pegavam desprevinida, me atingiam onde mais doía. Resolvi voltar a praticar corrida... Chegava do trabalho, trocava de roupa e lá ia eu ladeira acima e ladeira abaixo, até me sentir tomada pela exaustão...
Um dia chovia tanto que não havia como correr... E como a temporada de chuvas duraria pelo menos mais cinco meses, busquei abrigo entre meus velhos companheiros: os livros... A noite que antecedera aquele dia havia sido a pior de todas... No plantão fora incapaz de salvar a vida de um bebê... Ao retornar para casa tinha a porta arrombada... Nunca havia me sentido tão só...
Li avidamente a noite inteira. Precisava ler as tristezas alheias para me afastar das minhas... De começar a ler de novo, a recomeçar a escrever foi rápido. De repente passei a escrever sobre o amor perdido... Foi como se cada farpa que ainda estava em meu coração fosse retirada pouco a pouco, a medida que escrevia e chorava....
O amor que sentia foi se transformando, não em ódio como muitas vezes acontece, mas em algo maior capaz de me ajudar a reconstruir o que se havia destruído dentro de mim. Não era mais um amor pelo outro, mas uma vontade louca de ser feliz. Uma sensação enorme de que dentro de mim ainda havia muitas coisas que a decepção não fora capaz de destruir...
Faz pouco mais de um ano daquela noite.... Foi um período mágico em minha vida... Sofri perdas, passei por algumas derrotas... Superei a dor, canalizei as mágoas... Hoje vejo que o sofrimento me trouxe algo maior do que aquele amor poderia ter trazido, enfim me olho no espelho e me conheço por inteiro... Não sou mais uma imagem da qual tiraram um pedaço... Sou uma mulher, por inteiro, com qualidades, com defeitos, capaz de amar mas sem perder minha alma nesse amor... Cresci muito, amadureci horrores...
E sabe de uma coisa? Esse amor foi o melhor que podia ter me acontecido... Exatamente porque chegou a seu fim depois de me entregar completamente a ele... Experimentei a máxima felicidade e depois a máxima tristeza... Descobri meus caminhos entre as duas... Hoje esse amor é só uma lembrança, um carinho, nada mais... Mas foi por ele que eu redescobri que a vida está muito além de planejamentos e certezas...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Reflexão de uma manhã de terça feira

Hoje acordei meio filósofa...
Na realidade perdi o sono as 3 da manhã e não parei de digitar até agora...
Sabe o que é você de repente passar uma madrugada toda fazendo uma retrospectiva de fatos recentes da sua vida?
Pois é...
Não menosprezando fases anteriores, mas esta é sem dúvida a melhor fase da minha vida. Sabe aquela fase onde você já exorcizou seus demônios de insegurança da adolescência, já ultrapassou os obstáculos da faculdade...
Acho que nunca me conheci tão bem quanto agora... Sei meus limites, sei onde piso... Fiquei mais segura mas também mais prudente...
Os amigos... ah, os amigos... Hoje tenho todos eles perto, mesmo que em cidades diferentes... Mesmo que não os veja com frequência... Mas estão todos aqui no meu peito...
A carreira anda bem... Muito bem mesmo...
Aprendi a importância das escolhas, dos caminhos que traçamos... Aprendi a não me arrepender por aquilo que não dá pra mudar... A brecar, dar "cavalinho de pau" e retornar quando estou na direção errada... Aprendi que o sofrimento é preciso e tão necessário quanto a felicidade... Uma espécie de bisturi que corta aquelas partes de nós que precisam ser recicladas... Doído, sem anestesia mesmo, mas necessário...
Aprendi que a liberdade é muito mais do que fazer escolhas... É trilhar caminhos...
Não é fim de ano, mas tenho que agradecer a Deus e aos amigos que tenho por tudo que passei recentemente... E nunca é fora de hora para agradecer...

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Mudança

Meu Deus! Quem inventou esse negócio de mudança devia estar em prisão perpétua!Foram cinco dias: encaixotando coisas, desmontando outras, reorganizando a vida...Meu corpo parece não fazer parte de mim mais, tudo dói... Fisicamente estou exausta, e não posso dizer que escapei com minha mente intacta a tudo isso...
Este retorno representa muito mais que uma mudança de lugares, mas também o fechamento de um ciclo de vida. É a sensação de ir, conquistar e retornar para meu lugar de origem... Além disso, há o sentimento de deixar muitas coisas para trás...
Tudo começou há cinco anos... No príncipio era apenas uma relação de trabalho, depois meu coração foi se amoldando àquelas paisagens... Fiz amigos, criei laços que o tempo e a distância não desfarão.
Um dia fui com todas as minhas coisas... Não só a bagagem mas todo meu coração foi comigo... Hoje volto e deixo pra sempre parte de mim naquelas paragens... Uma parte da amiga que fui, sou e serei de pessoas que amo de paixão...
Meu coração não será o mesmo depois de tantas emoções vividas ali... Cada momento e cada sabor experimentados, marcaram a fundo minhas memórias...
Mas sem dúvida de todas as coisas que vivi a que mais deixou marcas, começou com uma simples troca de olhares... Qual emergência pode ser mais urgente do que dois corações que passam a bater no mesmo ritmo? É uma pena que durou tão pouco... Sei que não posso medir em dias o valor do que vivemos. Mas posso tentar estimar pela intensidade que fui feliz naqueles dias...
É difícil se despedir do local onde se encontrou o primeiro amor... Não uma paixão qualquer, mas aquele amor que a vida inteira não vai bastar para esquecer.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Definições (by Adriana Falcão)

Solidão é uma ilha com saudade de barco.

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança

para acontecer de novo e não consegue.

Lembrança é quando, mesmo sem autorização,

seu pensamento reapresenta um capítulo.

Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco.

Pouco é menos da metade.

Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.

Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.

Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.

Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu

sair de seu pensamento.

Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer

mas acha que devia querer outra coisa.

Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.

Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme

que pode ser que nem exista.

Renúncia é um não que não queria ser ele.

Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.

Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente.

Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.

Ansiedade é quando sempre faltam 5 minutos para o que quer que seja.

Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada em especial.

Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.

Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é Fevereiro...

Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.

Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.

Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.

Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente,

mas, geralmente, não podia.

Perdão é quando o Natal acontece em outra ápoca do ano.

Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.

 Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.

Desatino é um desataque de prudência.

Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.

Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo

e assume o mandato.

Emoção é um tango que ainda não foi feito.

Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.

Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.

Desejo é uma boca com sede.

Paixão é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não.

Amor é um exagero... também não. É um "desadoro"... Uma batelada? 

Um exame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero,

um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? 

Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação,

esse negócio de amor não sei explicar...


 
 
 


 

Achei esse texto lindo... As definições são sem dúvida a coisa mais difícil da vida da gente. Quem dera pudéssemos simplesmente ter certeza de tudo a nossa volta, quem dera não deixássemos tanta coisa suspensa, se equilibrando na corda bamba da vida.

E de toda vida o amor é a mais imprecisa, sem dúvida. Muitas vezes amamos tanto e não conseguimos fazer dar certo. Outras vezes as coisas dão tão certo, mas o coração aponta em outra direção.

Quem não tem algo ou alguém que fica suspenso nas recordações, esperando só um descuido nosso, para invadir de novo nossos sentimentos? Quem consegue ter tudo completamente resolvido?

Definitivamente, a vida não é uma equação de matemática!

Mas talvez seja justamente nessa imprecisão e incerteza que resida a beleza de tudo... Pois é justamente esse amor represado dentro de nós que assume as mais variadas formas de expressão, seja na arte, seja na caridade, seja no como olhamos o mundo. É nosso "jeitinho" de abrirmos de mansinho as compotas do coração quando talvez deixar o rio fluir livremente possa ser complicado, que nos torna poetas, músicos, pintores, escultores e escritores. E assim dividimos com o resto do mundo aquilo que não podemos dividir com o objeto de nosso amor.


 


 

Assis sur le rebord du monde – Francis Cabrel

Si j'ai bien toute ma mémoire
Disait Dieu dans un coin du ciel
J'avais commencé une histoire

Sur une planète
nouvelle,
toute bleue
Bleue, pour
pas qu'on la
confonde
Je vais aller m'asseoir sur le rebord du monde
Voir ce que
les hommes en
ont fait
J'y avais mis
des gens
de passage

Et
j'avais
mélangé
les couleurs

Je leur avais appris le partage
Ils avaient répété par cœur
"Toujours" ! tous
toujours dans la même ronde
Je vais aller m'
asseoir sur le rebord du monde
Voir ce
que les hommes en ont fait
Je me souvie
ns d'avoir dit aux hommes
Pour chaque fille
une colline de fleurs
Et puis j'ai planté des arbres à pommes

Où tout le monde a mordu de bon cœur
Et partout, partout des rivières profondes
Je vais aller m'asseoir
sur le rebord du monde
Voir ce que les
hommes en ont fait
Soudain
toute la ville s'arrête
Il paraît que
les fleuves ont grossi
Les enfants
s'approchent, s'inquiètent
Et demandent "
pourquoi tous ces bruits ?"

Sans doute, Dieu et sa barbe blonde
Dieu qui s'est assis sur le rebord du monde
Et qui pleure de le voir tel qu'il est !


 


 

Às vezes me pergunto se um dia não acordaremos mesmo com essa cena : Deus sentado olhando a Terra e chorando... Não vou usar a licença poética do autor e atribuir a isso enchentes e outras alterações climáticas. Até porque (apesar de me preocupar com o meio ambiente) acho muito mais graves as agressões do homem para com o próprio ser humano.

Não sei como ser indiferente a tantas cenas que atravessam nossos caminhos diariamente.

Um dia destes, ao parar num sinal em uma área nobre de Brasília, vi algo que me deixou perplexa. Havia duas meninas, a menor de cerca de 5 anos, tentando fazer malabarismos para convencer os motoristas a comprarem balas. O esforço delas seria realmente muito bonito, se estivessem brincando ou numa escola... As piruetas não eram perfeitas, mas elas se esmeravam o máximo.

Passaram de carro em carro pedindo aos motoristas que comprassem uma balinha... A maiorzinha até que conseguiu um ou dois compradores... A menor tinha dificuldade para falar, uma dislalia, o que fazia que demorasse bem mais em cada carro... Ouvia ela falar com o motorista do lado e tive vontade de comprar bala, não para mim, mas para adoçar um pouco a tarde daquela criança.

O sinal se abriu e deixei-a chupando a bala, como se fosse um verdadeiro manjar de deuses. Quando estava cruzando a via, olhei no retrovisor para prolongar a visão daquele rostinho feliz... Que absurdo! Ao seu lado estava uma moça, de uns 25 a 30 anos, que gritava com a criança, a segurou pelos cabelos e deu um tapa em seu rostinho.

Acredito que não fui a única a ver, mas ninguém naquele cruzamento demonstrou nenhuma reação. Como estava perto de casa, estacionei o carro e fui procurar um policial para denunciar. Que desalento! Eu não poderia provar para ninguém o que havia acontecido...

Todas as vezes que passo no mesmo cruzamento procuro aquela pequena na esperança de poder ajudá-la contra sua algoz. Porém nunca mais a vi. Decerto a polícia deve ter passado por lá e isso as afugentou.

Se um dia alguém ver uma linda menina que tropeça nas palavras, em algum sinal de trânsito desta cidade sem esquinas, por favor, pelo menos peça a Deus para cuidar dessa vidinha.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Quem sou eu?

Uma pessoa muito complexa pra se tentar entender e ao mesmo tempo muito simples de conviver. Se estou fazendo uma coisa é porque gosto, se estou aqui é porque não queria estar em outro lugar, se estou com alguém é porque meu coração mandou assim.
Sou uma médica em constante reciclagem... workaholic por prazer.
Sou gourmet por vocação, mas vivo de dieta.
Sou uma musicista que nunca soube cantar...
Sou um projeto de escritora e poetisa...
Sou uma tentativa de artista...
Sou artesã em formação...
Vivo em constante aprendizado...
Acredito que a vida é acordar cada manhã e tentar tirar tudo de bom que cada experiência pode nos ensinar. Acho que amizade não é estar junto o tempo todo , mas ter a felicidade do outro como nosso objetivo pessoal. Entendo que amar não é ter o outro amarrado a si, mas ser capaz de ajudá-lo a levantar vôos cada vez mais altos.
A isso acrescente um punhado de teimosia (quem quer elogiar diz que sou persistente e quem não gosta me chama de birrenta), muita fé nas pessoas, uma vontade enorme de mudar o mundo...
Tempere com um gosto enorme por andar descalça e sentir cheiro de terra, junto com uma fixação por sapatos e perfumes...
Sim, sei que sou contraditória... Amo a vida simples, mas também convivo muito bem com todas as complicações. Amo a paz, mas sou capaz de curtir a agitação... Mas juro que tanta contradição até facilita a convivência, pois me fez ser tolerante com todos os defeitos e qualidades alheios.
Não tente me entender, você não conseguirá. Apenas experimente ser meu amigo...

Olhar em três tempos

Há olhos que cruzam o olhar com os nossos e que a partir desse instante passam a fazer parte de nossos caminhos e recordações para sempre. São olhos que nunca mais veremos, mas que estarão sempre a cruzar com os nossos na memória.

Olhos negros, penetrantes... Olhos capazes de atravessar e derreter paredes. Qual a probabilidade de encontrar alguém no meio do nada? Tínhamos cansado de dirigir e paramos o carro em uma sombra a beira da estrada, aguardávamos que o sol diminuísse. De repente, somos estranhamente despertas pelo ruído distante de um motor. Alguns minutos após, uma moto pára ao nosso lado e olhos negros nos perguntam se temos problemas. Agradecemos a oferta de ajuda e eles se vão... Um último menear de cabeça para trás e aqueles olhos se tornam inesquecíveis...

Num local lotado encontrar alguém seria quase impossível, imagine se perdida na multidão sem fim, esperaria um novo cruzar de olhos. Lembro-me deles, azuis, refinados, impecáveis, em frente ao balcão da Western Union. A voz que os acompanhava falava um idioma nunca ouvido antes. Mas eles transpiravam beleza e refinamento inigualáveis, em linguagem universal... Nunca os veria de novo e fiz questão de prolongar os segundos que se passaram.

Olhos verdes, ai, ai, olhos verdes... Que há com esses olhos? Tem algo mágico, porém não tem o calor nem o refinamento experimentados dantes. Como nunca os vira antes? Como viver sem vê-los depois ? Em meio ao caos, em meio a morte que rondava, eu os vi pela primeira vez. Não sabia de onde vinham nem para onde me levariam, mas deixei meus olhos presos naquele olhar. Eram tão doces e tinham um brilho tão diferente... Esses olhos atravessaram os meus sonhos por meses. De todos os olhos na vida esses foram os únicos que atravesaram duas vezes o meu caminho. Na segunda vez, surpresa, eu fugi deles. Porém nos meus sonhos eles se mantinham sempre presentes. Esses olhos me visitam à noite até hoje, trazendo um brilho todo especial a minha vida. Por que esses? Por que não outros olhos? Não sei. Talvez seja porque eles me tragam um sabor de algo que nunca tive, um cheiro de algo tão distante, lembranças que nunca vivi. Talvez porque na sua doçura tenha adoçado momentos tão amargos de minha vida... Não sei, só sei que parece que por muitos anos eles ainda estarão povoando meus sonhos.
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Há olhares e olhares na vida, este pequeno texto é dedicado a todas as pessoas que marcam nossas vidas apenas com um olhar. Ah, e o texto é apenas inspirado em fatos reais, não necessariamente as coisas aconteceram assim, usei um pouco de licença poética.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Cerejas e girassóis

Passamos tanto tempo a nos preocupar... Preocupamo-nos com o futuro, com o presente, com o clima, com a cotação do dólar, com a taxa de juros... Perdemos tanto tempo sem olharmos a nossa volta...
Até que um dia nos damos conta de que as melhores coisas da vida definitivamente não tem preço (é isso não é comercial de cartão de crédito). As coisas que nos fazem mais felizes não podemos comprar, e o tempo de vivê-las é o agora, afinal o tempo também não é um produto a venda.
Será que um dia alguém vai pôr preço na felicidade? Será que estar perto daqueles que amamos vai um dia ser cobrado monetariamente? Será que teremos que pagar pelo pôr-do-sol? Será que vão vender direitos autorais do barulho das cachoeiras e do canto dos pássaros?
Eu espero que não, mas por via das dúvidas... Vamos aproveitar hoje para saborear as cerejas que a vida nos oferece, para admirar os girassóis... Vamos mergulhar nas cachoeiras, se soltar das cordas que nos amarram, correr um pouco mais de riscos...
Porque daqui a 6 meses ou 1 ano ou 1 década, podemos nos deparar com nossas vidas de trás pra frente, e percebermos tarde demais que o tempo passou. E então querermos pedir perdão e não podermos mais. Pensarmos naquela divergência que mudou tudo, e perceber que era tão pequena para tantas decisões.
Que amanhã nos arrependamos de ter amado demais, ter vivido demais, ter chorado demais, ter sorrido demais... Porque a vida é uma só para vivermos presos a amarras e deixarmos de vivê-la. Portanto amemos hoje, vamos semear corações, e um dia colheremos os girassóis da felicidade e teremos muitas cerejas para lembrar...