terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Mudança
Este retorno representa muito mais que uma mudança de lugares, mas também o fechamento de um ciclo de vida. É a sensação de ir, conquistar e retornar para meu lugar de origem... Além disso, há o sentimento de deixar muitas coisas para trás...
Tudo começou há cinco anos... No príncipio era apenas uma relação de trabalho, depois meu coração foi se amoldando àquelas paisagens... Fiz amigos, criei laços que o tempo e a distância não desfarão.
Um dia fui com todas as minhas coisas... Não só a bagagem mas todo meu coração foi comigo... Hoje volto e deixo pra sempre parte de mim naquelas paragens... Uma parte da amiga que fui, sou e serei de pessoas que amo de paixão...
Meu coração não será o mesmo depois de tantas emoções vividas ali... Cada momento e cada sabor experimentados, marcaram a fundo minhas memórias...
Mas sem dúvida de todas as coisas que vivi a que mais deixou marcas, começou com uma simples troca de olhares... Qual emergência pode ser mais urgente do que dois corações que passam a bater no mesmo ritmo? É uma pena que durou tão pouco... Sei que não posso medir em dias o valor do que vivemos. Mas posso tentar estimar pela intensidade que fui feliz naqueles dias...
É difícil se despedir do local onde se encontrou o primeiro amor... Não uma paixão qualquer, mas aquele amor que a vida inteira não vai bastar para esquecer.
sábado, 12 de janeiro de 2008
Definições (by Adriana Falcão)
Solidão é uma ilha com saudade de barco.
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança
para acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização,
seu pensamento reapresenta um capítulo.
Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco.
Pouco é menos da metade.
Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.
Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu
sair de seu pensamento.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer
mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme
que pode ser que nem exista.
Renúncia é um não que não queria ser ele.
Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.
Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente.
Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.
Ansiedade é quando sempre faltam 5 minutos para o que quer que seja.
Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada em especial.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é Fevereiro...
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente,
mas, geralmente, não podia.
Perdão é quando o Natal acontece em outra ápoca do ano.
Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.
Desatino é um desataque de prudência.
Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo
e assume o mandato.
Emoção é um tango que ainda não foi feito.
Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Desejo é uma boca com sede.
Paixão é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não.
Amor é um exagero... também não. É um "desadoro"... Uma batelada?
Um exame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero,
um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?
Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação,
esse negócio de amor não sei explicar...
Achei esse texto lindo... As definições são sem dúvida a coisa mais difícil da vida da gente. Quem dera pudéssemos simplesmente ter certeza de tudo a nossa volta, quem dera não deixássemos tanta coisa suspensa, se equilibrando na corda bamba da vida.
E de toda vida o amor é a mais imprecisa, sem dúvida. Muitas vezes amamos tanto e não conseguimos fazer dar certo. Outras vezes as coisas dão tão certo, mas o coração aponta em outra direção.
Quem não tem algo ou alguém que fica suspenso nas recordações, esperando só um descuido nosso, para invadir de novo nossos sentimentos? Quem consegue ter tudo completamente resolvido?
Definitivamente, a vida não é uma equação de matemática!
Mas talvez seja justamente nessa imprecisão e incerteza que resida a beleza de tudo... Pois é justamente esse amor represado dentro de nós que assume as mais variadas formas de expressão, seja na arte, seja na caridade, seja no como olhamos o mundo. É nosso "jeitinho" de abrirmos de mansinho as compotas do coração quando talvez deixar o rio fluir livremente possa ser complicado, que nos torna poetas, músicos, pintores, escultores e escritores. E assim dividimos com o resto do mundo aquilo que não podemos dividir com o objeto de nosso amor.
Assis sur le rebord du monde – Francis Cabrel
Si j'ai bien toute ma mémoire
Disait Dieu dans un coin du ciel
J'avais commencé une histoire
Sur une planète
nouvelle,
toute bleue
Bleue, pour
pas qu'on la
confonde
Je vais aller m'asseoir sur le rebord du monde
Voir ce que
les hommes en
ont fait
J'y avais mis
des gens
de passage
Et
j'avais
mélangé
les couleurs
Je leur avais appris le partage
Ils avaient répété par cœur
"Toujours" ! tous toujours dans la même ronde
Je vais aller m'asseoir sur le rebord du monde
Voir ce que les hommes en ont fait
Je me souviens d'avoir dit aux hommes
Pour chaque fille une colline de fleurs
Et puis j'ai planté des arbres à pommes
Où tout le monde a mordu de bon cœur
Et partout, partout des rivières profondes
Je vais aller m'asseoir sur le rebord du monde
Voir ce que les hommes en ont fait
Soudain toute la ville s'arrête
Il paraît que les fleuves ont grossi
Les enfants s'approchent, s'inquiètent
Et demandent "pourquoi tous ces bruits ?"
Sans doute, Dieu et sa barbe blonde
Dieu qui s'est assis sur le rebord du monde
Et qui pleure de le voir tel qu'il est !
Às vezes me pergunto se um dia não acordaremos mesmo com essa cena : Deus sentado olhando a Terra e chorando... Não vou usar a licença poética do autor e atribuir a isso enchentes e outras alterações climáticas. Até porque (apesar de me preocupar com o meio ambiente) acho muito mais graves as agressões do homem para com o próprio ser humano.
Não sei como ser indiferente a tantas cenas que atravessam nossos caminhos diariamente.
Um dia destes, ao parar num sinal em uma área nobre de Brasília, vi algo que me deixou perplexa. Havia duas meninas, a menor de cerca de 5 anos, tentando fazer malabarismos para convencer os motoristas a comprarem balas. O esforço delas seria realmente muito bonito, se estivessem brincando ou numa escola... As piruetas não eram perfeitas, mas elas se esmeravam o máximo.
Passaram de carro em carro pedindo aos motoristas que comprassem uma balinha... A maiorzinha até que conseguiu um ou dois compradores... A menor tinha dificuldade para falar, uma dislalia, o que fazia que demorasse bem mais em cada carro... Ouvia ela falar com o motorista do lado e tive vontade de comprar bala, não para mim, mas para adoçar um pouco a tarde daquela criança.
O sinal se abriu e deixei-a chupando a bala, como se fosse um verdadeiro manjar de deuses. Quando estava cruzando a via, olhei no retrovisor para prolongar a visão daquele rostinho feliz... Que absurdo! Ao seu lado estava uma moça, de uns 25 a 30 anos, que gritava com a criança, a segurou pelos cabelos e deu um tapa em seu rostinho.
Acredito que não fui a única a ver, mas ninguém naquele cruzamento demonstrou nenhuma reação. Como estava perto de casa, estacionei o carro e fui procurar um policial para denunciar. Que desalento! Eu não poderia provar para ninguém o que havia acontecido...
Todas as vezes que passo no mesmo cruzamento procuro aquela pequena na esperança de poder ajudá-la contra sua algoz. Porém nunca mais a vi. Decerto a polícia deve ter passado por lá e isso as afugentou.
Se um dia alguém ver uma linda menina que tropeça nas palavras, em algum sinal de trânsito desta cidade sem esquinas, por favor, pelo menos peça a Deus para cuidar dessa vidinha.
domingo, 6 de janeiro de 2008
Quem sou eu?
Sou uma médica em constante reciclagem... workaholic por prazer.
Sou gourmet por vocação, mas vivo de dieta.
Sou uma musicista que nunca soube cantar...
Sou um projeto de escritora e poetisa...
Sou uma tentativa de artista...
Sou artesã em formação...
Vivo em constante aprendizado...
Acredito que a vida é acordar cada manhã e tentar tirar tudo de bom que cada experiência pode nos ensinar. Acho que amizade não é estar junto o tempo todo , mas ter a felicidade do outro como nosso objetivo pessoal. Entendo que amar não é ter o outro amarrado a si, mas ser capaz de ajudá-lo a levantar vôos cada vez mais altos.
A isso acrescente um punhado de teimosia (quem quer elogiar diz que sou persistente e quem não gosta me chama de birrenta), muita fé nas pessoas, uma vontade enorme de mudar o mundo...
Tempere com um gosto enorme por andar descalça e sentir cheiro de terra, junto com uma fixação por sapatos e perfumes...
Sim, sei que sou contraditória... Amo a vida simples, mas também convivo muito bem com todas as complicações. Amo a paz, mas sou capaz de curtir a agitação... Mas juro que tanta contradição até facilita a convivência, pois me fez ser tolerante com todos os defeitos e qualidades alheios.
Não tente me entender, você não conseguirá. Apenas experimente ser meu amigo...
Olhar em três tempos
Olhos negros, penetrantes... Olhos capazes de atravessar e derreter paredes. Qual a probabilidade de encontrar alguém no meio do nada? Tínhamos cansado de dirigir e paramos o carro em uma sombra a beira da estrada, aguardávamos que o sol diminuísse. De repente, somos estranhamente despertas pelo ruído distante de um motor. Alguns minutos após, uma moto pára ao nosso lado e olhos negros nos perguntam se temos problemas. Agradecemos a oferta de ajuda e eles se vão... Um último menear de cabeça para trás e aqueles olhos se tornam inesquecíveis...
Num local lotado encontrar alguém seria quase impossível, imagine se perdida na multidão sem fim, esperaria um novo cruzar de olhos. Lembro-me deles, azuis, refinados, impecáveis, em frente ao balcão da Western Union. A voz que os acompanhava falava um idioma nunca ouvido antes. Mas eles transpiravam beleza e refinamento inigualáveis, em linguagem universal... Nunca os veria de novo e fiz questão de prolongar os segundos que se passaram.
Olhos verdes, ai, ai, olhos verdes... Que há com esses olhos? Tem algo mágico, porém não tem o calor nem o refinamento experimentados dantes. Como nunca os vira antes? Como viver sem vê-los depois ? Em meio ao caos, em meio a morte que rondava, eu os vi pela primeira vez. Não sabia de onde vinham nem para onde me levariam, mas deixei meus olhos presos naquele olhar. Eram tão doces e tinham um brilho tão diferente... Esses olhos atravessaram os meus sonhos por meses. De todos os olhos na vida esses foram os únicos que atravesaram duas vezes o meu caminho. Na segunda vez, surpresa, eu fugi deles. Porém nos meus sonhos eles se mantinham sempre presentes. Esses olhos me visitam à noite até hoje, trazendo um brilho todo especial a minha vida. Por que esses? Por que não outros olhos? Não sei. Talvez seja porque eles me tragam um sabor de algo que nunca tive, um cheiro de algo tão distante, lembranças que nunca vivi. Talvez porque na sua doçura tenha adoçado momentos tão amargos de minha vida... Não sei, só sei que parece que por muitos anos eles ainda estarão povoando meus sonhos.
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Cerejas e girassóis
Até que um dia nos damos conta de que as melhores coisas da vida definitivamente não tem preço (é isso não é comercial de cartão de crédito). As coisas que nos fazem mais felizes não podemos comprar, e o tempo de vivê-las é o agora, afinal o tempo também não é um produto a venda.
Será que um dia alguém vai pôr preço na felicidade? Será que estar perto daqueles que amamos vai um dia ser cobrado monetariamente? Será que teremos que pagar pelo pôr-do-sol? Será que vão vender direitos autorais do barulho das cachoeiras e do canto dos pássaros?
Eu espero que não, mas por via das dúvidas... Vamos aproveitar hoje para saborear as cerejas que a vida nos oferece, para admirar os girassóis... Vamos mergulhar nas cachoeiras, se soltar das cordas que nos amarram, correr um pouco mais de riscos...
Porque daqui a 6 meses ou 1 ano ou 1 década, podemos nos deparar com nossas vidas de trás pra frente, e percebermos tarde demais que o tempo passou. E então querermos pedir perdão e não podermos mais. Pensarmos naquela divergência que mudou tudo, e perceber que era tão pequena para tantas decisões.
Que amanhã nos arrependamos de ter amado demais, ter vivido demais, ter chorado demais, ter sorrido demais... Porque a vida é uma só para vivermos presos a amarras e deixarmos de vivê-la. Portanto amemos hoje, vamos semear corações, e um dia colheremos os girassóis da felicidade e teremos muitas cerejas para lembrar...